31 de dez de 2010

Eu amo a noite

Eu amo a noite
e as madrugadas frias
nas quais estão para se apreciar
as luzes fluorescentes
da cidade iluminada.

Eu amo a noite
e as estrelas à vista
na abóbada celeste
afastando a treva noturna
e trazendo o passado de volta.

Eu amo a noite
e as tempestades cruéis
que trazem consigo os raios
e a escuridão densa e inspiradora
para escrever poemas tristes.

Eu amo a noite
e os prazeres boêmios
da melhor mulher e do melhor vinho
e da última tragada naquele charuto
cuja fumaça caminha pelo céu negro

Eu amo a noite
e a solidão do meu quarto
do agradável cheiro de incensos
a fogueira acesa lá fora
e livros nunca antes lidos.

Eu amo a noite
em toda sua extensão
do pôr ao nascer do Sol
a inspiração apodera-se da minha alma
e as palavras tomam vida.

Meus olhos contemplam a noite
e tudo de inspirador que há nesse mundo.

Alberto.


13 de dez de 2010

Ensaio em versos sobre a saudade

Ó, Mundo, por que és tão grande?
Uma alegria repentina
não percorre todas as rotas.

Ó, Mundo, por que és tão díspar?
Uns caminham bem
e outros mal caminham por ti.

Teu empecilho, ó, Mundo
é ser grande e díspar.
Pois grande é minha dor
e díspar é teu amor.

Por que, ó, Mundo, não me tratas?
Um pedaço de ouro
para aquele que mal caminha.

E cada vez pareces maior, ó, Mundo
e cresces a cada passo
que meu amor vai para longe
longe, longe, longe daqui.

Um pôr-do-sol na Califórnia
ou a neve piemontesa?
A romântica chuva londrina
ou São Paulo e as boas refeições?
Paris acesa no natal
ou os painéis nova-iorquinos?

Grande que és, ó, Mundo
dá-me o lirismo imprescindível
para com palavras conhecer-te pleno,
pois já levara meu amor para longe
e junto dele meu coração desbravador.

Mas, ó, Mundo grande e díspar, obrigado.
Obrigado por tirar-me o amor
e levá-lo para longe.
Pois levaste minh'alma
mas deixou-me sua altivez
e a chance de encontrá-la.

Grande Mundo, ó, Mundo vão.
Juro agora conhecer-te inteiro
em busca do meu amor.
Seguindo rastros, espalhando paixão.

Alberto.


9 de dez de 2010

Eu sou o desastre de uma geração. Sou o símbolo de uma ruína. Sou a dor e a catástrofe. Eu sou o sangue e a morte. Sou a mais dolorida derrota. Sou a coragem em desarmonia com o sucesso.
Eu sou o guerreiro aprisionado.

Carniceiros ou belos?


Urubu, mas que feio animal
Há quem não consiga olhar de tão horroso que és
Pássaro carniceiro e de hábito nojento
Basta avistar-te que já sei que um ser deixou este mundo
Ó prenunciador da morte.
Tira a esperança daqueles que já não aguentam mais viver
Terrível messias dos infelizes
Mostra a eles cruelmente que a vida, mesmo que infeliz, vale a pena.
Urubu, mas que feio animal
Porém há também aqueles que, como eu, se vislumbram ao te ver
Ave tão feia mas que carrega um dom que poucos tem o direito
Apesar de todos seus defeitos, só vejo em ti uma única qualidade.






















































































































A beleza do seu vôo
É que me ensinou uma importante lição
Não é a beleza da nossa forma que nos torna melhores
Mas sim o quão belas são nossas ações.


autor desconhecido.




2 de dez de 2010

Tempo de Chuva

A caminhada pelo tempo nutre
A sensação de que o tempo passa
E a vida fica pra trás a cada rastro
E a cada linha marcada no horizonte

Lembranças eternas ficam para trás
A cada passo me sinto mais longe
Das virtudes que aprendi
E das vidas que vivi

A ansiedade de novos caminhos
De novos anseios
Bate forte em minha alma
Pois o tempo é curto
E eu só tenho a perder

Perder cada vez mais pelos caminhos errantes
Ganhar pelos objetivos conquistados
Porque uma vida se esvai
Mas um nome fica para sempre

Quando o tempo se esgota
Conhecemos a liberdade verdadeira
O que até então era desconhecido
Agora é o despertar do sonho da vida

E a chuva vai levando todo o mal
E tudo de bom que o tempo nos trouxe
E a luz vai se estreitando até...
Até o fim.

Alberto/Gabriel/Sarah

25 de nov de 2010

A cada taça de vinho que tomo
Pela boca e pelas veias pulsantes
Numa explosão de êxtase e insanidade
Da embriaguez terrena e metafísica
Digo-lhes que nada vive aqui.

Todo pássaro que voa pelo céu
Todo ser submarino nas profundezas do mundo
E cada gota de chuva que cai das nuvens densas
E cada pedra que há muito surgiu
E cada brisa oceânica de julho
Nada disso tudo é algo
Pois tudo, isso tudo, é cativo.

Cativo pela mente e pelo corpo
Cativo pela existência
Pela vida e pela morte
E pela morte e pela vida
E pela morte novamente, que denomina a todos os seres
O mistério do alvedrio... ou a privação total dele.

Privilegiados o homem e a mulher que são livres
Pois a fantasia e a loucura
Corpórea e transcendental
São as portas lacradas da liberdade.

E o que um fantasioso e louco faz?
Dar-lhes-ei um exemplo que conheci.

A chuva caía sob seus ombros
E não aumentava o passo nem se escondia embaixo do coqueiro.
Andava com os pés descalços pelas pedras
Algumas escorregadias, outras pontiagudas.
Respirava a brisa oceânica de julho
Com os pulmões abertos para novos ares.
E criava, e escrevia, e recitava, e sucedia
E seguia em frente.
Amarrava os sapatos nas barcas de Veneza
E procurava seu chapéu perdido pelas ruas de Londres.
Também perdeu sua fantasia de palhaço no centro de São Paulo
Mas essa nunca mais recuperou.
Esse fantasioso e louco já é livre há muito.

A racionalidade afasta o ser humano da sua essência
E a falta dela leva os mortais à ignorância.
Então como ser livre, autor dissoluto?
A loucura e a fantasia não são a essência nem a ignorância
O certo ou o errado.
A fantasia e a loucura são só para os fantasiosos e loucos
E eles não são nem racionais nem ignorantes.
Eles são fantasiosos e loucos... e livres.

Felicidade e alegria, filhos da liberdade,
Pois as bandeiras serão levantadas!

Alberto.
 

9 de nov de 2010

O rosto que mudou o mundo

Possuir.
Uma causa, uma ideia
a vontade universal.

Persistir.
Ação que é praticada
somente pelos mais fortes.

Revolucionar.
Verbo padrão na história
dos grandes homens do mundo

Conquistar.
Desejo para que alcance
a glória no meio de todos.

Morrer.
Uma vida se esvai
mas o mito permanece.

Herois devem ser exaltados?
Insígnias valem mais que um
coração revolucionário?

Muitos eram os inimigos
o norte, o leste, o mundo.
Mas sempre enquanto houver
a chama da revolução
estará acesa a esperança

Homens tirando a liberdade
de homens presos à lei social
e ninguém mais se mantém livre.

Quem diria que havia alguém destinado
a lutar pela liberdade plena?
Eis que surge um rosto no horizonte
destinado a ser igual a todos.
Porém, escolheu ser um intrigante
o guardião de toda revolução .

Jogou sua maleta no chão de Cuba
e pegou a espingarda do combate.
Agora ele tinha mais inimigos
e foi combatê-los pelas nações.

Um homem e as suas armas letais
fogo e palavra, persuasão e morte
E mesmo derrotado, ele venceu.
A voz dos mudos e olho dos cegos.
Seu semblante imponente e audaz
é imortal na memória daqueles
que conhecem sua história de guerra
horror, terror, ardor, fulgor, amor.

Sempre que houver um conflito
ele estará lá atento.
Um símbolo universal.
Nunca um homem com seu rosto
mudou o mundo. Apenas Che.

Alberto.


















26 de out de 2010

Surrealismo ao entardecer

Adulei quatro pontos do corrimão
E por ele escalei.
Pelos trilhos desci no auto
Passando por cima e desviando e passando por cima de tudo
E meus amigos ficaram para trás.
Na grande lagoa sem água
Saqueamos e fomos embora.
Havia ali um resquício de revolução
E companheiros chegavam à minha casa para se reunirem, e
Pelos corredores do castelo, tínhamos aventuras
Até que saímos e brilhamos.
O velho papa morreu, e o velho rei morreu
E o novo papa chegou, e o novo rei chegou
E eu cheguei junto, coberto de glória.
Essas eram as imagens da minha vida surreal
Vida de furtos e conquistas.

Alberto.

 















26 de set de 2010

Manga Verde

  Entre o som da harmonia e encanto do silêncio, faz-se a canção. Dizem-na a mais bela das artes, ensinada pelos próprios deuses, enquanto estes caminhavam sobre a terra. Celebrando os feitos heróicos e seus heróis, celebrando as musas, os banquetes e a glória, a música sempre esteve presente nas lendas e na mente de todos. As sete trombetas fizeram desmoronar as muralhas de Jericó, e o rei Davi compôs os salmos em nome de seu deus.
  Passadas de pai para filho, os cantos eram entoados por gerações, e tinha papel fundamental na fundamentação e sustentação da cultura de todo um povo.
  Voz, palma das mãos, tambor, harpa, aulos, alaúde, cítara, acordeão, órgão, violino. A musicalidade foi se desenvolvendo de tal maneira que os músicos se tornaram profissionais e começaram a ganhar certa quantia por suas composições.
  Com esse mercado em aberto, os músicos se dedicavam ainda mais em criar músicas com uma genialidade sem limites. O Renascentismo cultural abriu asas para uma composição independente da religião e de culturas já definidas, espaço à clara inspiração do artista.
  As grandes óperas do barroco chegaram perto do auge da música nesse astro vão, que atingiu seu apogeu no período clássico.
  O amor e o medo, sentimentos humanos subjetivos e desenfreados, começaram a ser expostos em forma de música na era romântica. A modernidade trouxe consigo uma nova pegada musical, acompanhando a evolução social e tecnológica.
  No início do século XX, houve uma fusão entre o estilo erudito e a forma popular, e a riqueza musical cresceu ainda mais. Surgiu o jazz, gênero cultuado até hoje. E com o blues dos negros e o country dos brancos, nasce o rock ‘n roll.
  Rock ‘N Roll: majestade. O gênero musical de massa mais difundido em toda a história da espécie humana. Foram os 50 anos mais excitantes da história. A cultura de todos os povos se juntava numa só. Artistas se consagravam. Grandes conjuntos. Beatles, Who, Led Zeppelin, Queen, Doors, Stones, Floyd, Mutantes. Grandes ídolos. Lennon, McCartney, Dylan, Page, Mercury, Morrison, Hendrix, Joplin, Jagger, Plant. O rock havia se distanciado dos outros gêneros, em importância e em técnica.
  Pode-se dizer que os anos 2000 foram os mais esperados pelos músicos. Toda essa vastidão de conhecimento, desde a Antiguidade até os anos 90, toda a evolução da música clássica a popular, o fragor causado pelos gêneros de massa, tudo isso já havia passado, e os novos músicos tinham acesso a toda essa inspiração de milênios para criar suas músicas, canções, melodias, harmonias, ritmos.
  Na verdade, todo esse acesso, toda essa difusão mundial dos meios de comunicação, fez acontecer o chamado RETROCESSO MUSICAL. Artistas que não são artistas, músicos que se vendem para o mercado da mídia e consumismo, o fim das canções de protesto em busca de uma revolução. O que havia de ser feito, já foi. Agora, só resta esperar até onde vai esse retrocesso. São palhaços colocando a si próprios em liquidação, se vendendo no palco de um circo onde todos estão lá para apenas rir... e consumir.
  Espero sem cessar por UM herói, só UM, para que salve a humanidade das músicas vendidas. E ele por mim será celebrado, assim como nas canções antigas, quando música ainda era música.
Alberto.

19 de set de 2010

ami

Quando não há mais assuntos a tratar
Quando os interesses se esvaem
Uma amizade se esgota... e acaba.


Quando às vezes não há mais assuntos a tratar
Quando às vezes os interesses se esvaem
Uma amizade se esgota.. e pode acabar.

Quando não há mais assunto nenhum
E quando os interesses acabam de vez
Mas a amizade continua
É porque é de verdade
E nunca vai acabar


Alberto.

foto: sarah.

última composição

Caminhando pela tua sombra assombrosa
Nós somos escravos também.
A sombra se submete no claro
E se esconde quando a noite chega.
Escondem-se nas tuas veias
Imploram por um pouco de paz
E nos confins do crepúsculo
Você e sua sombra são um só
E se tornam transparentes como água.
Algo me suga para dentro de mim
Meus olhos cedem e se fecham cansados
Da longa trajetória do tempo derrotado.
Possuo três corações, eu fecho os olhos e
Posso senti-los dentro de mim.
Cada vez mais forte o som fica
Ecoa dentro de meus ouvidos.
As batidas vão crescendo
É pura música.
Ele está parando
Não posso ouvi-lo.
E a harmonia vai me levando pra longe daqui
Para me dominar num paraíso distante.


Alberto/Laura.

14 de set de 2010

Embriaguez

Cambalear e sentir
O som estridente
Da vida à solta
Ficando à mercê
Do tempo
Do espaço
De tudo.

Transitando pela tua alma
Com uma vontade de tocar
De ter
Aqui
Para mim
Agora.

E o agora é o momento certo
Para irmos ver o apocalipse
E dizer a todos que crêem
Que a vida é uma bebida forte
E estamos todos embriagados.

Estamos no trânsito urbano
Só cuidando da minha mente
Estou aplicando minha mulher
E caímos todos pra rua
Só com a vida sem precedentes.

Fomos para a terra dos insanos
Só com o dinheiro do nosso esforço
Temos, além disso, muitos amigos
E nosso álcool ainda está na mesa.

Alberto.


4- Solidão

“Estou perdido em ilusões
Que reavivam meus velhos temores
Pois na vida atentei vários terrores
E não há mais saída dessa demência
Presente comigo até o fim dessa existência.
Perdi felicidade, perdi calor
Hoje estou vivo, mas vivo sem amor.”

Alberto.

3- Ódio

“Falta de amor é perfídia?
O que ouço da vida é triste
Que a verdade sequer existe.
Tudo que vejo é sombra e dor
Teu olhar sem o ínfimo pudor.
Como se tornara sórdida assim?
Matarei e verei teu melancólico fim.”

Alberto.

2- Amor

“Doce lembrança reacendida
Da tua boca, que em êxtase está
É inolvidável para onde vá.
Teu corpo, o despertar da paixão
Nos teus braços a volúpia sem restrição
Pois todo o amor que lhe trago é puro
Sem medo, sem apuro.”

Alberto.

1- Desejo

"Te ter e te abraçar
Navegar em direção ao seu coração
Egoísta ao desejar-te sem contrição
Bela com seus cabelos negros
Rindo e sorrindo como nos contos gregos
Indo sem rumo, sem vontade de esquecer.
Adoro sonhar, pois só assim posso te ter"

Alberto.


3 de ago de 2010

Delírio

Difícil dizer o que age em nós quando deliramos, temos pensamentos peculiares e pensamos em razões distintas. Sim, a alucinação intensa que ocorre no momento primordial do sonho é o mais próximo que uma ficção individual e interior se aproxima da realidade. Porém, não se sabe se aquilo é mesmo uma ilusão, projeção ou afins, pois a sensação é totalmente diferida e sentida no corpo físico.
A única certeza é que o sonho se relaciona diretamente com o que sentimos, conscientemente ou ainda mais oculto. Nada que vemos ou sentimos durante uma noite de sono é sem motivo algum, pois sempre nos faz lembrar de algo ou alguém.
Sonhamos com fatos bons e ruins, ou que não fazem sentido nenhum antes de uma análise mais profunda. Interpretar seus sonhos é procurar conhecer o mais fundo possível da alma e compreensão humana.
Estou mentindo. Sonho não é algo para se explicar, apenas para se sonhar.

Alberto.

15 de jul de 2010

Jogral em Prosa

Um saltimbanco em meio à Rua Direita numa tarde chuvosa de segunda-feira. Passo rápido, com a afobação de todo cidadão com um objetivo fixo, sem vista para os lados nem para as pessoas suplantadas naquela grande azáfama interminável. Chovia de modo estranho, apenas de um lado da rua.
Andava eu pelo caminho seco segurando um casaco, quando avisto o artista, com suas mímicas e assovios, à procura de atenção, reconhecimento e algum dinheiro. Passo por ele sem dar-lhe muita atenção, então ele puxa meu casaco e sai correndo. Saí em disparada atrás do palhaço, que corria rindo e assoviando. Aproximo-me dele e pego minha blusa.
Continuava rindo e assoviando o truão, de costas. Dei alguns passos, e virei uma última vez. O ator olhava-me fixamente, e seus olhos me mostraram tudo o que se passava naquela alma deixada de lado pelo mundo.
Uma pessoa com a mentalidade de que é despreparada para outra coisa a não ser fazer as outras rirem. Estigmatizado na beirada da vida, provavelmente vindo do interior, com o sonho da capital aflorado em seus pensamentos. Conhecendo a realidade fria, sentiu-se incapaz de concretizar o desejo pulcro de ser reconhecido, e tornou-se mais um bobo, com o propósito de fazer rir o siso e o desamor das luzes e edifícios, carros e caras, movimentando-se constantemente e incessantemente. Era um monólogo da Commedia dell'Arte nos dias modernos.
Aquele bufo possivelmente tem uma família, que depende do dinheiro, doado e esmolado das pessoas que passam por aquela rua, para sobreviverem e terem uma vida digna.
O saltimbanco em meio à Rua Direita numa tarde chuvosa de segunda-feira. Segunda-feira e todos os outros dias da semana, chuvosos ou não, está lá nosso ator, a divertir as pessoas que passam, comedidas e rápidas, e poucas delas esboçam um sorriso e cedem o auxílio necessário e merecido ao verdadeiro artista dos dias atuais, que faz da arte seu único e apaixonante modo de existência.

Alberto.


15 de jun de 2010

A Nova Primavera dos Povos


Que vida é aquela que não se é admirável?
Que lamento é aquele que não se exprime?
Vida transtornada de medo afagável
Lamentos de um acento sublime.

Ages como agires, esplêndido suntuoso
Sofrerás com o mar tortuoso
De tua rica fonte de mel
Olhos frouxos exibem teu cartel.

Quem diz que o rico é rei?
Dia foi que ele foi despojado
E num esboço aprofundado
Tomou o mundo, mudou a lei.

Faz séculos que mandam os abastados
Absolutos ou liberados
Fazem com que seus dominados
Padeçam enclausurados.

Lembram-se da Primavera dos Povos?
Vejam-na aqui, agora escrita
De forma límpida e clara
Aos olhares e borrões.

E os pássaros que voam alto
Cantam a desventura da humanidade
No alto céu, indiferentes, nos olham
Pois eles sim têm a liberdade.

Liberdade a teus filhos amados
Dá-se a meio de sangue e dor
Ou senão por um clamor
Impulsiona a marcha dos endividados.

Procure em Deus o igualitário
E em sua mente o libertário
Fim do poder e da dominação
Dos donos da alienação.

Se não sabem a razão disso
Eu lhes digo que é o amor
Amor pela vida e tudo isso
Que merece algum fulgor.

Eu não sou meu eu lírico
Eu sou o eu lírico daqueles
Que vêem na revolução
A saída do manicômio.

Alberto.

5 de jun de 2010

A Coberta


Escrevo este relato por debaixo de uma coberta, iluminado pelo anêmico fulgor da lamparina.
Ouço o som da chuva lá fora, e os cantos incógnitos e obscuros da noite.
Me amedronto a cada gotejar que não vejo.
Meus pés estão desprotegidos, sentindo o frio dessa triste madrugada.
Sinto-me incapaz de combater algo tão poderoso, com tantas perspicácias. Não há limite para o medo.
Saio de baixo da manta. A chuva aumenta e sou atingido por ela.
Estou vendo espectros caminhantes, em ala na abóbada celeste.
Um deles acaba de descer. Passa ao meu lado, entra no porão, quebra algumas garrafas, me olha fixamente. Eu encaro-o sem temer. Ele tira sua capa, e revela-se um ser quase humano, porém pálido ao extremo, e sem uma alma no fundo do olhar. Flutua novamente ao encontro da fila fantasmagórica.
Olho para o céu, donde caem a chuva e o medo. Está ficando cada vez mais frio.
Jogo a coberta fora. Só levo comigo lápis, papel e luminosidade.
A aparição perdida, maldita infernal, volta e se aproxima. Começa a proferir.
“Quem dirás ao céu um terrível?
Mortal nenhum enfrenta-o
Vou e volto dos dias e dos tempos
Levo comigo o gotejar frio.
Tu me fitas, adventício
Vires a página, não parais
Que só Deus, a iluminação
Olha pra trás e salva-te.
Apontou a Grande Debandada
Do Inferno vamos às Terras Frias
Não somos abrasados, somos viajantes
Errantes seres que não devem ser fitados.
Sua história acabou
Sua aflição será minha glória
Sua lamparina vai apagar
Sua memória vai apagar.”
Eu não deveria ter olhado. Enquanto a coberta me envolvia, nada estava lá. Execrável coragem que leva o homem à loucura.
Estão todos na minha frente, prontos a me arrastar. Atiro esse relato ao vento fúnebre...

Alberto.

23 de mai de 2010

O Andarilho

Os dias se põem, o sol se esconde
E ele está a caminhar
A noite chega, desconhece donde
E ele não deixa de cantar

Profere as canções das suas origens
Total espectro de vertigens
E ele está a caminhar
E ele não deixa de cantar

Versando alto, contando histórias
E ele está a caminhar
E ele não deixa de cantar
As lembranças de suas memórias

E ele está a caminhar
Por terras distantes
E ele não deixa de cantar
Sobre os campos verdejantes

Sua magia é a exatidão
E ele não deixa de cantar
Vê as pessoas com afeição
E ele está a caminhar

Na mão, uma garrafa de vinho
Em sua bota, nenhum espinho
E ele não deixa de cantar
E ele está a caminhar

Seu vício é a estrada
E ele não deixa de cantar
E ele está a caminhar
Sua rota indefinida

E ele não deixa de cantar
Envelhecido na agonia
E ele está a caminhar
Levando embora sua magia.

Alberto.


21 de mai de 2010

O que mais virá?


Quero ver o mar e escutar as ondas
Quero sentir a brisa espatifar meus cabelos
Quero ver o sol se por no horizonte, atrás das montanhas
Quero botar o pé na estrada e conhecer o mundo
Quero conhecer pessoas e me divertir com elas
Quero entrar em todos os bares e tomar todas as cervejas
Quero beber vinho até meu fígado estourar
Quero fazer sexos intensos com mulheres interessantes
Quero ter todo o conhecimento humano na minha mente
Quero curtir meus amigos até o último segundo
Quero estar onde há pessoas como eu.

Alberto.

13 de mai de 2010

Pessoas são estranhas

As pessoas são impressionistas, e muitas vezes escondem em si mesmas almas nunca imaginadas por quem vê o expresso.
Temos todos os pecados dentro de nós, pulsando cada vez mais para virem à tona. O interior do homem é sórdido. Nossos pensamentos atingem graus de podridão inimagináveis, e nossos desejos cada vez mais fétidos, indo em direção contrária à tudo que se acredita ser correto.
Graça-mor do Dio in natura que somos julgados apenas pelo que expomos através do discurso, escrito ou falado, e das ações, físicas ou psicológicas, para com a sociedade como um meio de análise crítica.
A estranheza é extrema quando as pessoas demonstram que não se sabem usufruir o que tem, desvalorizando o amigo presente e não sabendo cultivar o que há de bom em volta de si, enclausurando-se num oásis envolto ao deserto. É de costume humano achar o feio e arrogante bonito e sedutor.
Mais uma excentricidade encontrada nas pessoas é o fato de não saberem amar: desprezam outras que demonstram certo carinho, fazendo uso de maus tratos morais e despedaçando os sentimentos de quem ainda tinha um pouco de amor para compartilhar. E sim, ninguém sabe amar, homens e mulheres não são feitos para o amor. Quem ama não erra, e o ser humano se torna censurável para atingir seus objetivos egoístas.
Ainda há um enorme grupo de pessoas que acredita em um deus sem saber o porque disso. Não sabem a razão de rezarem, porém rezam. E oferecem, e se sacrificam, e adoram, comovidos por algo que não lhes é de alcance. A verdade de tudo isso é que o homem busca suas respostas em situações criadas por ele mesmo, não aceitando sua posição para o mundo. É uma ação completamente compreensível, mas inventar não é a melhor rota para se chegar na caverna espelhada das revelações. Foi criada uma divindade totalmente semelhante ao homem, contendo todas as suas virtudes em um só. Foi elaborado um deus que cria, ampara, aconselha e abraça sua concepção. E as pombinhas, não há um lugar para elas no céu estrelado do paraíso?
Ainda mais estranhas são as pessoas que sofrem e causam agonia nas outras em nome de uma terra ou uma religião. A proposta de Deus é simples: convívio em harmonia. Então por quê civilizações entram em combate? Mais uma vez a dura resposta: o amor se perdeu...
Tudo que é proibido pela lei dos homens é fruto de desejo. As pessoas desejam, desejam, desejam demais, e das profundezas das trevas de cada um há algo muito obscuro, que é puxado para fora nessa intensa ambição pelo que não é algo a se fazer. Nisso se distinguem as pessoas de valor, que não cedem por seus desejos, e as fracas, que vendem tudo e caem na tentação maltrapilha de todas as carnes.
Todos temos uma parte incompleta, sentimos que falta algo. Muitas vezes, essa carência é preenchida de maneiras não muito éticas. Porém, deve-se respeitar a escolha entre utilizar-se ou não dessas maneiras, e também compreender a razão dessa decisão, consentida de algum modo. É uma autodestruição, e um modo de escapar da dura realidade onde ninguém é feliz e tudo está errado, por meio de música, de projeções causadas por tais maneiras antiéticas, depressão e morte.
Não existe o bom e o ruim, mas sim diversas formas de se interpretar os episódios do romance. E cada episódio tem um herói e um vilão, e os papéis podem se inverter no próximo capítulo. É a vida, que vai e volta, e vai e se perde na imensidão da humanidade.
São das pessoas diferentes que o mundo necessita. A normalidade e a felicidade são bobas e previsíveis. Algo novo é sempre bem vindo num caso de extrema crise ideológica. Todos são estranhos. A estranheza que ajude o maior número de pessoas a despertarem o amor é aqui muito bem vinda.
Alberto.

"Pessoas são estranhas quando você é um estranho
Rostos olham feio quando você está sozinho
Mulheres parecem cruéis quando você é indesejado
Ruas são irregulares quando você está pra baixo"
- Jim Morrison

2 de mai de 2010

Quem?

Algum tempo atrás, pelas ruas de Londres, havia uma garota. Ela tinha olhos bem fundos, como que se fosse penetrar na mente daquele menino. Agasalhado, ele estava encostado do outro lado da rua, segurando uma xícara de café, e olhando fixamente cada gesto dela.
O sinal fechou e a garota foi atravessando, atravessando, e a cada passo a imaginação do garoto ia mais alto. Ele pensava em como descobrir o nome daquela menina do olhar profundo, cabelo grudado na testa e visual moderno e inédito.
Mas, enquanto ele elevava seus desejos, a garota, a passos rápidos, passou por ele.
O garoto então viu sua imaginação ruir como uma parede num terremoto. Tudo que idealizava naquele momento se esvaiu.
Culpando-se por seu medo, sentou na calçada, colocou a cabeça entre os joelhos e, mais uma vez, viajou em seus pensamentos. Aquela garota, que ele vira uma única vez, despertou-lhe todo um sentimento novo. Foi embora, e não dormiu muito bem.
No outro dia, na mesma hora, no mesmo lugar, o garoto estava tomando café, e a menina dos olhos fundos de beleza apareceu novamente. Ela vinha passando por ele, numa situação indiferente e costumeira, quando desviou sua atenção para os olhos do menino, que a observava. Ela então parou, e o garoto se ergueu para ela, revelando seu lado mais imponente, e deixando para trás aquele menino tímido que colocara a cabeça entre os joelhos e chorara escondido.
_Quero saber seu nome.
_Faça por merecer.
“Quem não se ilude pela magia dos olhos?
Sim, olhos que vêem
Que mostram
Que definem.
E talvez seja pelos olhos
Que se descobre algo novo
Pela primeira vez.
Londres fria e iluminada
Chamando, chamando.
E seu cabelo acompanha as batidas do vento
E seu agasalho guarda em si
Alguém que se abraça por si só.
E enquanto a neve cai sobre nossas casas
Seus olhos estão intactos
Como num dia de verão.
Lareira logo de manhã
E boas histórias para contar
E olhares, olhares
Trocados, correspondidos, selados.
Eu amo você, e amo seus olhos.”
Depois de dito isso, o garoto se encolheu e voltou a ser o menino tímido e diferente de antes. Então, a garota disse:
_Nunca ouvi algo tão lindo de alguém tão lindo.
E então, ela lhe disse seu nome.

Alberto.

16 de abr de 2010

Morte

Quando vemos uma pessoa morta, desfalecida, com a vida esvaída e em direção a distâncias longínquas do que conhecemos, nossos olhos se focam no cadáver, no corpo orgânico, na carne que apodrece a cada minuto.
Tudo que se foi, um dia esteve. E se esteve, há um motivo de ter estado. E ao caso de partir, houve uma razão disso.
A palavra morte amedronta o coração dos homens de uma maneira intensa e o tira da razão, como a alvorada silenciosa de um dia gelado. O vivo tende a morrer, de um jeito ou de outro... ou de vários. Cada indivíduo, sem exceção, escurece seus pensamentos mais íntimos quando reflete sobre o momento de sua morte.
A vida humana é um objeto muito, muitíssimo, extremamente frágil. É possível extraviá-la através da ação de outro, de si mesmo ou de forças naturais incontroláveis. Um homem mata outro homem pois este o ameaça de alguma forma. Um homem mata a si mesmo pois excede seus limites. A vida mata um homem pois lhe é natural e conveniente.
E como é fácil sumir da existência material. De maneira brutal ou banal, incontrolável ou acidental, milhares e milhares de pessoas perecem todos os dias, a cada segundo.
O maior dos mistérios que a sociedade procura desvendar é o que há após a morte. Como se faltam provas, o mais coerente seria a não crença nesse mito. Mas, algo dentro de cada ser lhe diz ao contrário. Uma força interior alimenta esperanças de que após a convivência física, há mais do que pó. Talvez porque o homem não aceite que vive dentro de um prazo de validade, e assim seu inconsciente cria algo mais para ele se segurar. Porém, nem os céticos crêem nessa teoria racional. As rupturas ocultas do ser humano se abrem revelando tudo o que acreditamos, que vem desde nosso conceber.
Isso fortalece a certeza de que a morte não é o fim de tudo. É incompatível com as leis imutáveis algo que teve sentimentos, emoções, alegrias, tristezas, uma família, amigos, pessoas pelas quais sentia amor ou ódio, certezas, talentos, desastres, vontades, sonhos... é inverossímil que uma criatura com tantas concepções espirituais se transforme em cinza e pó, sem mais nada a fazer.
Nós, que permanecemos aqui, sentindo nosso coração bater e nosso corpo acatando nossos desejos materiais, ficamos naquela dúvida cruel e desumana: será que veremos nossos mortos queridos algum dia? Pois é, eles se foram antes de você, e isso é uma artimanha do decorrer. Com certeza há algo preparado no desconhecido para você, para mim, para todos nós que cá estamos, sentindo as coisas de forma diferente.
A cada fase da vida, novas emoções, sentimentos diferentes, diferentes pessoas que fazem parte dela. Chega uma ocasião que tudo isso basta. É hora de dar sua vez à nova geração...
A maioria dos gênios que nasceram entre nós sentiu a lâmina da foice do ceifador em suas gargantas mais cedo do que mereciam. Talvez a humanidade não esteja preparada para tais presenças ilustres, e a natureza age por si só, nos privando de ideais que fariam do mundo um lugar melhor. É a regra da evolução: eles alcançaram um estágio avançado primeiro, então vão embora; os ignorantes permanecem. Pense em seus ídolos, caro leitor: com toda certeza estão mortos agora.
Morrer jovem é a obsessão de uns e a tragédia de outros. Mas, não julgues. Quem nunca sentiu vontade de abolir da própria vida? Estes desejosos por se manterem sempre belos apenas o concretizaram.
Um velório. Um querido jaz no caixão. O quê passa de relance na cabeça de quem amou? “Nos veremos em breve”. Sim, em diversas ocasiões tratamos a vida como algo que se pode desfazer.
A dor de quem vai é momentânea. De quem fica é vitalícia.
Não podemos julgar quem merece viver e quem merece morrer. Isso não cabe a nós. A única certeza é que muitos não mereciam o fim que tiveram.
Há quem queira falar com os mortos, ou trazê-los de volta. Desista. O que está descasando, deve ser deixado descansar. Caso contrário, haverá uma reação letal.
Nos sintamos vencedores por estarmos aqui ainda, já que a qualquer momento e de qualquer forma podemos nos tornar finado. Quem se foi, foi porque teve que nos deixar. E sim, nos encontraremos novamente, em algum lugar, nas estalagens longínquas do universo e da alma.
Muitos procuraram a fórmula para a vida eterna. Alguns realmente a encontraram, mas não da forma literal.
Faça valer sua vida. Marque sua história. Brilhe. Ame. Assim, seu nome será cravado no coração dos homens através dos séculos.
Morrerei. Logo, viverei.

Alberto.




Riposa in pace, amen.

4 de abr de 2010

Tempo

Todas as coisas estão fora do lugar, e nada nunca pára, as mudanças ocorrem a cada segundo e destroem a freqüência e a estabilidade das coisas.
Todos os minutos passam por nós cheios de passado, levando embora tudo que lutamos para conquistar.
E cada vez mais as horas correm a uma velocidade arrasadora, acelerando o contraste por nós vivenciado.
A cada momento uma parte fica esquecida como um baú trancado a sete chaves, e a cada momento seguinte encontramos algo novo e nunca visto.
Ser incontrolável, sem domínio e ingrato que é o tempo, o passar e o vir, acontecimentos sem razões por trás. Não há nexo algum nessa ciência desconhecida.
Somos escravos dos relógios, do passado e do futuro, e principalmente da incerteza do presente.
Quanto mais rápido, mais provável o sucesso, e nossa vida nos é tomada e trazida todos os dias.
Tudo que fazemos, fazemos com o tempo que nos é dado. Mas como nos dar o tempo, se ele é que se dá?
E cada vez mais rápido tudo vai embora. A única certeza que o senhor dos momentos nos dá é a dúvida do que se seguirá.
Quando olhamos para as estrelas, não as vemos como realmente são, e sim como eram a milhares e milhões de anos-luz, lá atrás, no passado do tempo que vivemos hoje.
E todo o universo é conduzido por essa máquina. Nas galáxias distantes, no fundo do mar, por mais que seja diferente a percepção, ele age em todos os seres e todas as coisas.
Em nossa despojada consciência humana, não fazemos idéia da pressão exercida pelo tempo em tudo que somos e fazemos.
Então vamos cantar para nosso mestre e senhor, que domina a tudo e a todos, e define o destino de cada um dos seres.
Não, não. Não há nada de majestoso nisso. É uma lei que nos é imposta: vivemos, mas vivemos com a certeza de que tudo vem e tudo passa.
Não nascemos livres, pois não há tempo para fazermos essa escolha, ele faz por nós.
Já que é algo que vai contra nossa natureza de bens, façamos o melhor com o tempo que nos é dado.
Viver cada momento com a incerteza do que virá pela frente, e sabendo que tudo será guardado para toda a eternidade. Agir como tudo fosse especial e mágico. Essa sim é a razão de existir algo que age por si só.

Alberto.

18 de mar de 2010

Horizonte

Há palavras que não compreendemos totalmente o sentido. O horizonte é uma dessas palavras. A definimos como algo distante, longínquo, inatingível, utópico, algo que nunca alcançaremos. Nossa corrida para chegarmos lá é eterna.
Mas, para mim, correr atrás do horizonte tem suas vantagens. Na vida, sempre escolhemos um caminho: não o do bem e do mal, mas o do que fazer e do que não fazer. As decisões que tomamos nos afetam em todos os momentos. Para chegarmos perto do horizonte, é preciso sermos fortes para abandonarmos várias coisas.
Sempre que damos um passo à frente, deixamos algo para trás: decepções, alegrias, desejos, sonhos, amizades, amores... e ás vezes é muito difícil deixar esses fatos no passado e seguir em frente. A grande maioria das pessoas fica parada, estacada.
Agir com sabedoria é saber a hora de seguir em frente e deixar tudo que prende para trás. O horizonte é inalcançável, mas só nos aproximamos dele se seguirmos em frente.
Qualquer um pode titubear e duvidar da existência desse caminho. Muitos desejam voltar... e isso significa uma parada perpétua.
Ir em direção ao horizonte é continuar de onde paramos. Olhar para o passado como algo que não volta mais, e vivermos intensamente cada momento, pois nossos passos são cada vez mais longos.
Expectativas, desejos, sonhos... tudo isso é motivador para irmos de encontro com o futuro.
Não há quem nunca olhe para o passado. O que fizemos antes fica marcado, mas a cada passo que damos à frente, mais longe ficam essas marcas.
Olhar para trás e lembrar que tudo valeu a pena. Seguir em frente, atrás de seus sonhos, de seus amores, do horizonte. A cada passo, maior é a certeza de que algo bom virá.

Alberto.

4 de jan de 2010

Heróis



Como em toda juventude
Unidos por um ideal
Representando uma geração
Tornou-se frio e delirante
Idéias chegam ao fim
Seguidas da morte.

Será mesmo que a morte existe?
Indigente, excessivo, genial
Definitivamente alcançou a imortalidade

Como poucos em seu tempo
Liderou um estilo
Ideal reformulado
Frieza com fulgor
Fraqueza acidental.

Deixou seu nome marcado
Uma canção inesquecível
Atordoando quem ouve
No coração havia um toque
E depois acabou.

Rotas desconhecidas percorreu
Homem de fé e exatidão
Outorgou sua marca
A marca que ficará por muito tempo
Diante dos olhos
Sempre á vista da humanidade

Juntos numa revolução
Organizou a revolta
Num redemoinho de psicodelia
E mesmo assim
Saiu com a vitória

Corpo estripado no chão
Ondas de sangue nas paredes
Banalização jamais
A trégua acabou
Influência direta em nós
No auge da juventude.

Janelas abertas para o mundo
Impresso um rótulo
Mas com um objetivo
Incondicional e alcançado.

Juno e Vênus inspiraram
A maior de todas
Numa caminhada íngreme
Iniciada e terminada com sucesso
Sentido e paixão.

Mortalmente confuso
Originalmente simples
Redige as canções
Redige a filosofia
Ingenuidade inflexível
Sobrou não apenas
Ossos e escombros
Naquela rua jaz o espírito superior.

Alberto.

2 de jan de 2010

Diálogos


Breves noites

De céu claro
Penumbra alarmante
Presa no ermo

O fim nos aguarda
Nunca mais como antes foi
Nos encontraremos
Antes de tudo passar

Novamente só
Mente reprimida
Estrelas negras
Com o sabor da dor

A luz está longe
Vejo o feixe distante
Quase inatingível fulgor
Afastando-se lentamente

Sete pontos da cidade
Onde os tesouros estão
Guardadas por sete chaves
E sete cavaleiros armados


Onde está minha liberdade?
Onde está meu amor?
Vontade aflorada
De cair no caos imediatamente

Milhares de almas
Oferecem-me companhia
Elas dizem “Venha conosco
não há nada pra você aqui”

Hei amigo, venha cá
Hei amigo, não me deixe
Vamos queimar a noite
Vamos nos deitar na escuridão

Não estou cego de fortuna
Pois vejo a luz da morte

Atentamente
Me procurando

Estou apagado
Escondido em aforismos
Oculto do mundo

Do tempo, dos dias.

Escrevo minha história
Com linhas negras e borrões sombrios
De tinta seca
Um passado escondido

Meus olhos vêem
Faces escondidas lá fora
Cercando-me
Interrompendo minha rota

A energia me consome
Sou mais forte agora
Leito de morte preparado
Para ocasiões subsequentes

Um beijo roubado em Glastonbury
E então abri meus olhos
Libertei-me do negro
Que consumia meu coração.

Existe luz na caverna escura?
Existe amor num mundo injusto?
E as pessoas dançam
Dançam para o brilho

Ainda às vezes

Vozes me perturbam no calar da madrugada
Propostas inocentes persuasivas
Mas não, não dessa vez

Já posso seguir em frente agora
Segurando minha espada
Enfrentando antigos inimigos
Com novas e poderosas armas

Nenhum mestre da guerra
E nenhum senhor do alarde
Vai apagar meu fogo
Fogo que brilha e ilumina

Almas perdidas
Paralelas às emoções
Voltem para mim
Vamos caçar

Vivo numa dimensão só minha
Onde luz e trevas se ofuscam
Os papéis de invertem
E o céu é mais lindo

Gotas de chuvas que batem no seu rosto
E descem como lágrimas de felicidade
Dos olhos mais lindos
Da face mais obscura

Tenho um amigo
Que tem um amigo ruim
Digo a ele “venha comigo
vamos cantar juntos”

O dia que nosso sol se pôr
Talvez entenda
Que você era meu vento
E me empurrava para o alto

Os sonhos mudam
E eu andaria no fogo
O dia que nosso dia virar noite
Voltarei àquele tempo perdido nas trevas

Nas profundezas da minha alma
Aqueles tempos obscuros
São apenas
Lembranças ruins

Há um segredo sobre o passado e o futuro
“Seja dono de seus dias
Trace linhas vermelhas jorrando seu sangue
Ou douradas como a luz de seus olhos”

As marés do tempo são passageiras
Não desperdice seu amor
Pensando nas sombras
Vivendo no escuro

O arco-íris é colorido

E a juventude será sábia
Quem diz que o amor vai nos dilacerar

Sabe que nunca o conheceu

É difícil seguir sozinho
Sempre é possível mudar de caminho
Nem tudo que eu toco vira ouro
Mas tudo que eu vejo se transforma em flores

Mesmo se as montanhas caíssem no mar
Iríamos caminhar de mãos dadas
Nos falando por olhares
E a chuva molhando nossos cabelos

Demorei uma vida
Para não tirar os olhos de alguém
Que tenha os ouvidos para dividir
E vamos viver o tempo todo

Todos temos um lado negro
A lua tem um lado negro
Mas um dia alçaremos vôo
E voltaremos para casa

O hoje é o dia mais feliz
O amanhã será o dia mais feliz
Amores e amigos passados
Vivos dentro de você

Noites e dias e tardes e manhãs e tudo
Não se esqueça do depois
Num simples olhar
Pode cativá-lo

Versos são palavras
E palavras têm um significado
Você já sonhou com seu amor hoje?
Amanhã ele pode não estar mais lá.



Alberto.