26 de set de 2010

Manga Verde

  Entre o som da harmonia e encanto do silêncio, faz-se a canção. Dizem-na a mais bela das artes, ensinada pelos próprios deuses, enquanto estes caminhavam sobre a terra. Celebrando os feitos heróicos e seus heróis, celebrando as musas, os banquetes e a glória, a música sempre esteve presente nas lendas e na mente de todos. As sete trombetas fizeram desmoronar as muralhas de Jericó, e o rei Davi compôs os salmos em nome de seu deus.
  Passadas de pai para filho, os cantos eram entoados por gerações, e tinha papel fundamental na fundamentação e sustentação da cultura de todo um povo.
  Voz, palma das mãos, tambor, harpa, aulos, alaúde, cítara, acordeão, órgão, violino. A musicalidade foi se desenvolvendo de tal maneira que os músicos se tornaram profissionais e começaram a ganhar certa quantia por suas composições.
  Com esse mercado em aberto, os músicos se dedicavam ainda mais em criar músicas com uma genialidade sem limites. O Renascentismo cultural abriu asas para uma composição independente da religião e de culturas já definidas, espaço à clara inspiração do artista.
  As grandes óperas do barroco chegaram perto do auge da música nesse astro vão, que atingiu seu apogeu no período clássico.
  O amor e o medo, sentimentos humanos subjetivos e desenfreados, começaram a ser expostos em forma de música na era romântica. A modernidade trouxe consigo uma nova pegada musical, acompanhando a evolução social e tecnológica.
  No início do século XX, houve uma fusão entre o estilo erudito e a forma popular, e a riqueza musical cresceu ainda mais. Surgiu o jazz, gênero cultuado até hoje. E com o blues dos negros e o country dos brancos, nasce o rock ‘n roll.
  Rock ‘N Roll: majestade. O gênero musical de massa mais difundido em toda a história da espécie humana. Foram os 50 anos mais excitantes da história. A cultura de todos os povos se juntava numa só. Artistas se consagravam. Grandes conjuntos. Beatles, Who, Led Zeppelin, Queen, Doors, Stones, Floyd, Mutantes. Grandes ídolos. Lennon, McCartney, Dylan, Page, Mercury, Morrison, Hendrix, Joplin, Jagger, Plant. O rock havia se distanciado dos outros gêneros, em importância e em técnica.
  Pode-se dizer que os anos 2000 foram os mais esperados pelos músicos. Toda essa vastidão de conhecimento, desde a Antiguidade até os anos 90, toda a evolução da música clássica a popular, o fragor causado pelos gêneros de massa, tudo isso já havia passado, e os novos músicos tinham acesso a toda essa inspiração de milênios para criar suas músicas, canções, melodias, harmonias, ritmos.
  Na verdade, todo esse acesso, toda essa difusão mundial dos meios de comunicação, fez acontecer o chamado RETROCESSO MUSICAL. Artistas que não são artistas, músicos que se vendem para o mercado da mídia e consumismo, o fim das canções de protesto em busca de uma revolução. O que havia de ser feito, já foi. Agora, só resta esperar até onde vai esse retrocesso. São palhaços colocando a si próprios em liquidação, se vendendo no palco de um circo onde todos estão lá para apenas rir... e consumir.
  Espero sem cessar por UM herói, só UM, para que salve a humanidade das músicas vendidas. E ele por mim será celebrado, assim como nas canções antigas, quando música ainda era música.
Alberto.

19 de set de 2010

ami

Quando não há mais assuntos a tratar
Quando os interesses se esvaem
Uma amizade se esgota... e acaba.


Quando às vezes não há mais assuntos a tratar
Quando às vezes os interesses se esvaem
Uma amizade se esgota.. e pode acabar.

Quando não há mais assunto nenhum
E quando os interesses acabam de vez
Mas a amizade continua
É porque é de verdade
E nunca vai acabar


Alberto.

foto: sarah.

última composição

Caminhando pela tua sombra assombrosa
Nós somos escravos também.
A sombra se submete no claro
E se esconde quando a noite chega.
Escondem-se nas tuas veias
Imploram por um pouco de paz
E nos confins do crepúsculo
Você e sua sombra são um só
E se tornam transparentes como água.
Algo me suga para dentro de mim
Meus olhos cedem e se fecham cansados
Da longa trajetória do tempo derrotado.
Possuo três corações, eu fecho os olhos e
Posso senti-los dentro de mim.
Cada vez mais forte o som fica
Ecoa dentro de meus ouvidos.
As batidas vão crescendo
É pura música.
Ele está parando
Não posso ouvi-lo.
E a harmonia vai me levando pra longe daqui
Para me dominar num paraíso distante.


Alberto/Laura.

14 de set de 2010

Embriaguez

Cambalear e sentir
O som estridente
Da vida à solta
Ficando à mercê
Do tempo
Do espaço
De tudo.

Transitando pela tua alma
Com uma vontade de tocar
De ter
Aqui
Para mim
Agora.

E o agora é o momento certo
Para irmos ver o apocalipse
E dizer a todos que crêem
Que a vida é uma bebida forte
E estamos todos embriagados.

Estamos no trânsito urbano
Só cuidando da minha mente
Estou aplicando minha mulher
E caímos todos pra rua
Só com a vida sem precedentes.

Fomos para a terra dos insanos
Só com o dinheiro do nosso esforço
Temos, além disso, muitos amigos
E nosso álcool ainda está na mesa.

Alberto.


4- Solidão

“Estou perdido em ilusões
Que reavivam meus velhos temores
Pois na vida atentei vários terrores
E não há mais saída dessa demência
Presente comigo até o fim dessa existência.
Perdi felicidade, perdi calor
Hoje estou vivo, mas vivo sem amor.”

Alberto.

3- Ódio

“Falta de amor é perfídia?
O que ouço da vida é triste
Que a verdade sequer existe.
Tudo que vejo é sombra e dor
Teu olhar sem o ínfimo pudor.
Como se tornara sórdida assim?
Matarei e verei teu melancólico fim.”

Alberto.

2- Amor

“Doce lembrança reacendida
Da tua boca, que em êxtase está
É inolvidável para onde vá.
Teu corpo, o despertar da paixão
Nos teus braços a volúpia sem restrição
Pois todo o amor que lhe trago é puro
Sem medo, sem apuro.”

Alberto.

1- Desejo

"Te ter e te abraçar
Navegar em direção ao seu coração
Egoísta ao desejar-te sem contrição
Bela com seus cabelos negros
Rindo e sorrindo como nos contos gregos
Indo sem rumo, sem vontade de esquecer.
Adoro sonhar, pois só assim posso te ter"

Alberto.