25 de nov de 2010

A cada taça de vinho que tomo
Pela boca e pelas veias pulsantes
Numa explosão de êxtase e insanidade
Da embriaguez terrena e metafísica
Digo-lhes que nada vive aqui.

Todo pássaro que voa pelo céu
Todo ser submarino nas profundezas do mundo
E cada gota de chuva que cai das nuvens densas
E cada pedra que há muito surgiu
E cada brisa oceânica de julho
Nada disso tudo é algo
Pois tudo, isso tudo, é cativo.

Cativo pela mente e pelo corpo
Cativo pela existência
Pela vida e pela morte
E pela morte e pela vida
E pela morte novamente, que denomina a todos os seres
O mistério do alvedrio... ou a privação total dele.

Privilegiados o homem e a mulher que são livres
Pois a fantasia e a loucura
Corpórea e transcendental
São as portas lacradas da liberdade.

E o que um fantasioso e louco faz?
Dar-lhes-ei um exemplo que conheci.

A chuva caía sob seus ombros
E não aumentava o passo nem se escondia embaixo do coqueiro.
Andava com os pés descalços pelas pedras
Algumas escorregadias, outras pontiagudas.
Respirava a brisa oceânica de julho
Com os pulmões abertos para novos ares.
E criava, e escrevia, e recitava, e sucedia
E seguia em frente.
Amarrava os sapatos nas barcas de Veneza
E procurava seu chapéu perdido pelas ruas de Londres.
Também perdeu sua fantasia de palhaço no centro de São Paulo
Mas essa nunca mais recuperou.
Esse fantasioso e louco já é livre há muito.

A racionalidade afasta o ser humano da sua essência
E a falta dela leva os mortais à ignorância.
Então como ser livre, autor dissoluto?
A loucura e a fantasia não são a essência nem a ignorância
O certo ou o errado.
A fantasia e a loucura são só para os fantasiosos e loucos
E eles não são nem racionais nem ignorantes.
Eles são fantasiosos e loucos... e livres.

Felicidade e alegria, filhos da liberdade,
Pois as bandeiras serão levantadas!

Alberto.
 

9 de nov de 2010

O rosto que mudou o mundo

Possuir.
Uma causa, uma ideia
a vontade universal.

Persistir.
Ação que é praticada
somente pelos mais fortes.

Revolucionar.
Verbo padrão na história
dos grandes homens do mundo

Conquistar.
Desejo para que alcance
a glória no meio de todos.

Morrer.
Uma vida se esvai
mas o mito permanece.

Herois devem ser exaltados?
Insígnias valem mais que um
coração revolucionário?

Muitos eram os inimigos
o norte, o leste, o mundo.
Mas sempre enquanto houver
a chama da revolução
estará acesa a esperança

Homens tirando a liberdade
de homens presos à lei social
e ninguém mais se mantém livre.

Quem diria que havia alguém destinado
a lutar pela liberdade plena?
Eis que surge um rosto no horizonte
destinado a ser igual a todos.
Porém, escolheu ser um intrigante
o guardião de toda revolução .

Jogou sua maleta no chão de Cuba
e pegou a espingarda do combate.
Agora ele tinha mais inimigos
e foi combatê-los pelas nações.

Um homem e as suas armas letais
fogo e palavra, persuasão e morte
E mesmo derrotado, ele venceu.
A voz dos mudos e olho dos cegos.
Seu semblante imponente e audaz
é imortal na memória daqueles
que conhecem sua história de guerra
horror, terror, ardor, fulgor, amor.

Sempre que houver um conflito
ele estará lá atento.
Um símbolo universal.
Nunca um homem com seu rosto
mudou o mundo. Apenas Che.

Alberto.