31 de dez de 2010

Eu amo a noite

Eu amo a noite
e as madrugadas frias
nas quais estão para se apreciar
as luzes fluorescentes
da cidade iluminada.

Eu amo a noite
e as estrelas à vista
na abóbada celeste
afastando a treva noturna
e trazendo o passado de volta.

Eu amo a noite
e as tempestades cruéis
que trazem consigo os raios
e a escuridão densa e inspiradora
para escrever poemas tristes.

Eu amo a noite
e os prazeres boêmios
da melhor mulher e do melhor vinho
e da última tragada naquele charuto
cuja fumaça caminha pelo céu negro

Eu amo a noite
e a solidão do meu quarto
do agradável cheiro de incensos
a fogueira acesa lá fora
e livros nunca antes lidos.

Eu amo a noite
em toda sua extensão
do pôr ao nascer do Sol
a inspiração apodera-se da minha alma
e as palavras tomam vida.

Meus olhos contemplam a noite
e tudo de inspirador que há nesse mundo.

Alberto.


13 de dez de 2010

Ensaio em versos sobre a saudade

Ó, Mundo, por que és tão grande?
Uma alegria repentina
não percorre todas as rotas.

Ó, Mundo, por que és tão díspar?
Uns caminham bem
e outros mal caminham por ti.

Teu empecilho, ó, Mundo
é ser grande e díspar.
Pois grande é minha dor
e díspar é teu amor.

Por que, ó, Mundo, não me tratas?
Um pedaço de ouro
para aquele que mal caminha.

E cada vez pareces maior, ó, Mundo
e cresces a cada passo
que meu amor vai para longe
longe, longe, longe daqui.

Um pôr-do-sol na Califórnia
ou a neve piemontesa?
A romântica chuva londrina
ou São Paulo e as boas refeições?
Paris acesa no natal
ou os painéis nova-iorquinos?

Grande que és, ó, Mundo
dá-me o lirismo imprescindível
para com palavras conhecer-te pleno,
pois já levara meu amor para longe
e junto dele meu coração desbravador.

Mas, ó, Mundo grande e díspar, obrigado.
Obrigado por tirar-me o amor
e levá-lo para longe.
Pois levaste minh'alma
mas deixou-me sua altivez
e a chance de encontrá-la.

Grande Mundo, ó, Mundo vão.
Juro agora conhecer-te inteiro
em busca do meu amor.
Seguindo rastros, espalhando paixão.

Alberto.


9 de dez de 2010

Eu sou o desastre de uma geração. Sou o símbolo de uma ruína. Sou a dor e a catástrofe. Eu sou o sangue e a morte. Sou a mais dolorida derrota. Sou a coragem em desarmonia com o sucesso.
Eu sou o guerreiro aprisionado.

Carniceiros ou belos?


Urubu, mas que feio animal
Há quem não consiga olhar de tão horroso que és
Pássaro carniceiro e de hábito nojento
Basta avistar-te que já sei que um ser deixou este mundo
Ó prenunciador da morte.
Tira a esperança daqueles que já não aguentam mais viver
Terrível messias dos infelizes
Mostra a eles cruelmente que a vida, mesmo que infeliz, vale a pena.
Urubu, mas que feio animal
Porém há também aqueles que, como eu, se vislumbram ao te ver
Ave tão feia mas que carrega um dom que poucos tem o direito
Apesar de todos seus defeitos, só vejo em ti uma única qualidade.






















































































































A beleza do seu vôo
É que me ensinou uma importante lição
Não é a beleza da nossa forma que nos torna melhores
Mas sim o quão belas são nossas ações.


autor desconhecido.




2 de dez de 2010

Tempo de Chuva

A caminhada pelo tempo nutre
A sensação de que o tempo passa
E a vida fica pra trás a cada rastro
E a cada linha marcada no horizonte

Lembranças eternas ficam para trás
A cada passo me sinto mais longe
Das virtudes que aprendi
E das vidas que vivi

A ansiedade de novos caminhos
De novos anseios
Bate forte em minha alma
Pois o tempo é curto
E eu só tenho a perder

Perder cada vez mais pelos caminhos errantes
Ganhar pelos objetivos conquistados
Porque uma vida se esvai
Mas um nome fica para sempre

Quando o tempo se esgota
Conhecemos a liberdade verdadeira
O que até então era desconhecido
Agora é o despertar do sonho da vida

E a chuva vai levando todo o mal
E tudo de bom que o tempo nos trouxe
E a luz vai se estreitando até...
Até o fim.

Alberto/Gabriel/Sarah