9 de mai de 2011

dezesseis anos

    Depois de andar e andar, com minha mochila, cabelo espatifado, camiseta amarrotada, short sujo e chinelo quebrado, achei uma árvore. Já havia andado muito, muito mesmo, até encontrar aquele lugar. Parecia ser uma árvore muito velha, que já vivera muitas primaveras. Olhei para suas raízes e vi que ali eu poderia me deitar. Então, limpei o chão de folhas secas e fiquei ali, com a coluna sobre a terra. Era uma árvore muito bonita, apesar de alguns galhos nus pela intensidade do outono. A árvore ficava no alto de um morro, e para chegar lá, atravessei canaviais, cafezais, milharais, cercas e caminhos estreitos.
    Fiquei lá por um bom tempo, deitado na sombra da árvore, pensando na efemeridade de todas as coisas. O dono do local chegou com uma foice, exigindo que eu fosse embora. Ele ficou com medo de mim, pensou que eu fosse roubar alguma coisa. O bandido na verdade era ele. Chamou de “sua propriedade” aquele lugar tão lindo. A natureza é linda para todos.
    Após perguntas e uma afinidade familiar ou outra, o homem se convenceu de que eu não era ladrão. Chamou-me para ir até a casa dele, e foi muito cordial e prestativo, desculpando-se e me oferecendo os produtos da geladeira. Era um bom homem. Mas eu não queria ficar na casa dele. Eu queria voltar pra debaixo da árvore, e pedi permissão dessa vez.
    Voltei pra perto da árvore, na beira da estradinha, e de lá observei as montanhas distantes, os morros, as colinas, o horizonte e a imensidão. Deu vontade de pôr o pé na estrada e sair por aí, apenas com a mochila nas costas.
    Com esta visão magnífica, estou escrevendo este relato. Daqui a pouco voltarei para casa. Mas nunca mais serei o mesmo que de lá saiu.
    Daqui em diante, o nome dessa árvore vai ser VIDA. Quando eu estiver bem velhinho, quero voltar pra sombra da VIDA. Espero que ainda esteja aqui. Sinto que minha infância ficara em suas raízes. Em troca, ela me deu a vontade de continuar sonhando.

Alberto.