15 de ago de 2011

manual de como envenenar a tinta de uma caneta

Como fazer parte do inteiro
Se não faz parte sequer do nada?
O silêncio é o soberano das respostas,
Da palavra na garganta estagnada.

Cheio de aforismos, o texto continua,
Flui como água na corrente exaltada.
Não pára, não recua,
O escrito é mais letífero que a espada.

Não falo do método dos parnasianos,
Estes, meros homens sem planos.
O manual é de como envenenar a tinta,
senhor,
A narração de como se requinta.

Nos versos frívolos vão-se os anos,
E com eles, o espólio dos enganos.
O novo sangue desfruta e pinta,
Rompe o vidro antes que o inimigo sinta.

O sangue novo, da linhagem de Rimbaud,
O mais espirituoso dos poetas.
Riso falso não vale a pena, disse Pierrot,
A poesia é o vinho das grandes festas.

Sem jograis, nem alentos delirantes,
Meros palhaços no mundo dissidentes.
A estirpe suja em movimentos dissonantes,
O veneno mais mortal é o das serpentes.


Alberto.