21 de set de 2011

Londres chama, Brasil não atende

   Londres acorda em chamas, após noites de uma fúria jovem. Em Santiago, cem mil pessoas nas ruas por uma educação digna. E nós aqui, escrevendo, lendo, ou nem isso.
   Parafraseando a pensadora Marilena Chaui, os filósofos e as crianças se assemelham no fato de ambos se maravilharem com o mundo. Estou realmente maravilhado com os acontecimentos.
   Não sou favorável a atos violentos, depredações ou conflitos com a polícia. Porém, a situação chegou num ponto radical, dos dois lados. O governo britânico cortou mais de cinquenta por cento do investimento em cultura, lazer e trabalho para os jovens, principalmente nos bairros mais carentes das grandes cidades. Além disso, muitos desses adolescentes perderam a oportunidade de cursar uma universidade, já que as tarifas para ensino superior triplicaram no ano passado. São crimes da mesma grandeza.
   Os revoltosos são jovens sem identidade, buscando mostrar o rosto. As chamas dos prédios estavam guardadas há tempos no coração da juventude inglesa. Isso lembra o movimento punk, no embalo de The Clash, com a canção “London Calling”, na qual a letra já previa uma insurreição da juventude nas periferias do Reino Unido.
   Foram mais de dois mil presos, lotando os tribunais para julgamento. As autoridades britânicas prometeram severas punições aos vândalos. Esperava-se o estereótipo de negros, latinos ou eslavos. O que se viu foram, sentados nos tribunais, universitários, professores, púberes. Cidadãos que fazem parte da elevada cultura inglesa, e não socialmente excluídos e marginais, como se esperava.
   Uma centena de milhares de professores e estudantes também nas ruas do Chile. A privatização da educação indignou a população de tal forma, como poucas vezes foi visto na história do país. As autoridades estão com medo.
   Agora o fato principal: esses governos neoliberais sentam em cadeiras executivas para discutir medidas prejudiciais a população e privilegiar o capital privado das grandes corporações? A resposta é sim. O pior de tudo é haver uma base filosófica que espalha o pessimismo, tentando acabar com a luta de classes e deixando o caminho livre para os negócios maldosos dos grandes empresários. No Brasil, o maior nome desse nietzchismo  capitalista é o denominado filósofo Luiz Felipe Pondé, tentando impregnar na população valores conservadores e que desestimulam a reforma política e social, disfarçado por um discurso moralista e que supostamente preza pelos bons costumes.
   O Brasil passa por todos esses problemas que afetam a Inglaterra e o Chile, além de muitos mais, prejudiciais ao povo e ao país. Eu ainda sou um otimista, pela filosofia como ação prática das mudanças. Todos devemos ficar maravilhados com os fatos, e tentar ajustá-los à situação pendente em nosso país. Não falo em conflagrar prédios, mas sim em romper com os conceitos correntes, e buscar por uma identidade verdadeira de nação autônoma.

Alberto.


*Texto publicado na Revista Cultura Anglo, edição n°1


12 de set de 2011

qual é o nome da história?

   O folhetim começa aqui, em seu final. Não se espante, caro leitor, a existência não é magistral. Há encontros e desencontros, e nem sempre as rimas se mantém.
   A história é da amada morta, do jovem que sofre pois perdera seu amor. A vida não é tão bela para todos, nem para os que acreditam nela. As coisas morrem, e é isso. Tudo passa, tudo é efêmero. Menos a angústia. Eu sou a prova ainda viva de minhas palavras.
   Não ache que a vida dos poetas é algo distante de sua obra, como foi Álvares de Azevedo. Sou da linhagem de Rimbaud sem Verlaine. Sou da linhagem dos poetas do absinto, do ópio, da morte.
   O Romantismo que me perdoe, mas prometo não exagerar nos fatos. Foi o que foi, e ainda não acabou. Minha vida passa enquanto escrevo essas linhas. Não encontro mais sossego em minha alma. Meus minutos cessam, e eu estou aqui. Não sei até quando. Não sei de muitas coisas. Não sei por quê.
   De todas as outras negações minhas, a mais importante agora é que não prometo uma ilustração a cada capítulo. Meus dons de desenho não são tão aguçados, e um amigo o fará em ocasiões especiais.
   Admiro o mestre Machado de Assis, sobretudo nos capítulos curtos e diálogos contigo, leitor. Mas não ache que interromperei minha narrativa para explicar o que não entenderás em primeira via. O subjetivo faz muito da obra.
   No mais, a história já pode começar. Prezo por escrevê-la o mais breve possível. Quanto mais me resta aos vinte e sete anos?

Alberto.

9 de set de 2011

estado de caos

Pague os seus impostos
Pague também os meus
Quebradores de ossos
Estudando nos liceus.

Você foi ensinado
Filho da alienação
Esse campo minado
Será uma revolução.

Pague os seus impostos
Pague os meus também
E quando te roubarem
Não diga nada a ninguém

Você foi auxiliado
A se negar a pensar
Então fique logo ao lado
Parado no mesmo lugar.

Pague os seus impostos
Pague os meus também
Esconda a verdade
Para um dia ser alguém.

Você foi sustentado
E agora é sua vez
De alimentar o Estado
Com a sua insensatez.

Comemore a ignorância
Agradeça a invalidez
Elogie a ganância
Cumprimente a estupidez.

Comemore a indiferença
Agradeça a hipocrisia
Elogie a intolerância
Cumprimente a ironia.

Alberto, Aurélio, Gabriel e Caio