20 de abr de 2013

anacronismo

Ó, Homero,
Ó, Macpherson,
Ó, Goethe,
no século vinte e um
Ulisses andaria pelos bares sujos em busca de Penélope;
Ossian jogaria RPG live action;
Werther passaria o dia todo na frente da TV e do videogame.

Alberto.

10 de abr de 2013

Ilustração 1

Da série: "Não sei fazer um traço reto, logo desenho com palavras"


As montanhas me chamam.
Subo-as.
Há algo de magnético nelas.
De mágico, de ancestral, de fragmentado.
Algo de perigoso, de belíssimo, de imponente.
Algo de sublime.
A montanha que me refiro é verde, cheia de floresta, fauna, frio;
há árvores amareladas, talvez ipês, ou algo mais velho;
é tudo muito úmido, mineral, vivo, hostil;
a natureza comunica-se consigo mesma numa voz estranha, imemorial;
aranhas tecem suas teias sem que ninguém as veja;
posto-me sempre alerta; sinto medo e admiração.
Encontro um riacho e bebo água cristalina;
respiro ar fresco, alto, puro;
deixo o vento bater no peito nu;
faço tudo isso com um receio autoconservador;
Começa a chover; é uma tempestade; raios, trovões e sentimento de proximidade da morte;
adentro a uma caverna no coração da montanha: sinto-a pulsar.
Já sem ímpeto a tempestade, subo ao topo da montanha e vejo tudo de cima;
avisto de lá o passado da humanidade;
o meu passado.
Minha sombra.

Alberto.