24 de jul de 2013

Correspondências

Correspondências

A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam às vezes sair confusos vocábulos;
O homem a cruza através de bosques de símbolos
Que então o observam com olhares familiares.

Como longos ecos que longe se confundem
Em uma tenebrosa e profunda unidade,
Que é vasta como a noite e como a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se respondem.

Há aromas frescos como a carne dos petizes,
Doces como oboés, verdes como a campina,
- E outros, corrompidos, ricos e felizes,

Tendo a expansão de tudo que não termina,
Como âmbar, almíscar, incenso e fluídos,
Cantando a passagem do espírito e sentidos.

[tradução: Alberto Sartorelli]


Correspondances

La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.

Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.

II est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
— Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,

Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.

 Charles Baudelaire

19 de jul de 2013

L'art est une farce

Tous les grands événements et personnages de l’historie se répètent deux fois.
La première, comme tragédie; la seconde, comme farce.

Robespierre est la tragédie; Blanc, la farce
La République est la tragédie; César, la farce
La Commune est la tragédie; le stalinisme, la farce
L'idéalisme est la tragédie; le matérialisme, la farce
Baudelaire est la tragédie; moi, la farce
Le rêve est la tragédie; l'art, la farce.

Alberto Sartorelli

15 de jul de 2013

Visita a Maiakowski no inferno

Por excesso de vontade
Zarathustra desceu da montanha
e foi falar ao povo na praça do mercado;
Eu, pelo mesmo motivo, desci ao inferno
e lá encontrei o camarada soviete
o poeta da revolução, homem do povo
Vladimir Maiakowski, eu vos saúdo.
Digo-lhe que aquilo tudo que fizeste foi bonito
dizer que não precisávamos ler Marx
que a luta de classes, a víamos pelas janelas
que dialética não aprendemos com Hegel.
É, caro poeta, é bonito
pena que nem sabemos
se é verdade
não foram dadas
as condições.
É perigoso, e tu bem sabias
levar a arte
para o povo.
É perigoso verificar as verdades da teoria, meu amigo
mesmo que sejam verdades práticas da teoria.
Se te censura, como faz? Dá cabo à vida, rapaz!
Suicídio, para ti, não é fuga,
é coragem
violada a arte, violada a vida
a sua.
Arte revolucionária e livre, tu fostes dos últimos
o capital muda, poesia de autonomia nula.
Não o deixaram ser compreendido pelas massas
a história pune!
Vladimir Maiakovski, je vous embrasser!
Agora procuro por Dante, sabe por onde anda aquele irresponsável rapaz?
Depois Rimbaud, Tzvietáieva, Drummond,
Baudelaire, o Mefistófeles das ruelas de Paris
e por fim Brecht, demônio este!
Volto para o mundo dos vivos
desci para as profundezas, na essência do pecado.
Carrego comigo a biblioteca do inferno.


Alberto.