8 de nov de 2013

Schubert, dialético

Triste a esperança de querer não ser
triste.
Feliz de saber sobre o jamais ser
feliz.
Sensação de fim, sentimento de
início.
Senso de direção, campo de ação
ausente.
Um tom é tese, um tom é antítese.
Série negativa, dá fim à vida
priva.
Série positiva, intransitiva
motiva.
O leitmotiv da peça é a tensão
que engana e amarra e nos leva até a síntese
que nada mais é que o nada absoluto
em luto.
Sem síntese, a realidade resiste
em sua natureza irreconciliável
se é que um dia houve conciliação possível
não crível.
Mas feliz em saber que pra ser triste
bastam poucos florins e um nome triste
na história da música ainda ecoando
verdade.

Alberto Sartorelli