5 de mai de 2014

Domingo à noite

Meu vazio
meu silêncio.

Não consigo falar.

Nem a arte me reconcilia.
Só me aumenta. Aumenta o vazio.

Sou nada. Sou só. Sou ainda.

Minha trajetória literária é um solilóquio!
Sou universal! Será que somente para mim?

Carrego em meus ombros
toda a angústia da civilização
na impotência de ser só
um poeta incompreendido
por massas e aristocracias.

Brado da torre de marfim onde, dizem, um poeta alemão ficou
louco!
Sou louco.

No domingo à noite, em todos eles até hoje
(desde que sou poeta)
revelam-se a mim, como a um sacerdote
as pulsões ocultas de uma civilização
profundamente
angustiada.

Amanhã de manhã, as pessoas irão trabalhar
serão coisas
fazendo seus trabalhos mecânicos
para o progresso da civilização.

É uma guerra.
Agora é o silêncio que antecipa a tempestade.

Não há dia e hora melhores
para ser poeta!

Não há dia e hora melhores
para falar sozinho!

Fui compreendido? - pergunta o filósofo.
Por mim o fora, infeliz! Infeliz és tu,
infeliz sou eu.
Ah, homens médios e felizes, eu vos desprezo!
Vocês não entenderam nada!
Novalis foi feliz?
Baudelaire foi feliz?
E o que se dirá acerca de Drummond?
Felizes sois vós, mesquinhos
se arriscando aos meandros da crítica literária!

Sempre que vejo um sorriso resignado
quero sair na porrada com o sujeito!

Para quem estou falando?

Quem é que me questiona?!
A humanidade, aquela mesma que
mandou um satélite falando sozinho
esperando quem sabe alguma manifestação vital
(e que também fale inglês)
retornar a ligação.

Horácio diz que o poeta deve esperar oito anos
para revisitar seus poemas e, quem sabe
torná-los públicos.
No meu caso, não faz diferença.
Espero que, em oito anos
alguns infelizes possam me ler
e espalhar a boa-nova
não tão boa como há de ser.

Terão todos vocês, medíocres,
de lidar com a vaidade de minha persona!
Querem que nesta vida eu seja coisa, pois
eu res-significo a vida!

Meu objetivo é minar os objetivos
mesquinhos dos homens médios.
Vim para apagar horizontes.

Sou um demônio.

- Nicholas Nielvski