10 de ago de 2015

[tradução] O Estrangeiro, de Baudelaire

O ESTRANGEIRO

- A quem tu amas mais, homem enigmático, dizes? teu pai, tua mãe, tua irmã ou teu irmão?
- Eu não tenho nem pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.

- Teus amigos?
- Vós vos servis de uma palavra cujo sentido me permanece até este dia desconhecido.

- Tua pátria?
- Eu ignoro sob qual latitude ela está situada.
- A beleza?
- Eu a amaria de bom grado, deusa e imortal.

- O ouro?
- Eu o odeio como vós odiais a Deus.

- Que tu amas então, extraordinário estrangeiro?
- Eu amo as nuvens... as nuvens que passam... lá longe... lá longe... as maravilhosas nuvens!

[tradução: Alberto Sartorelli]


L'ÉTRANGER

- Qui aimes-tu le mieux, homme enigmatique, dis? ton père, ta mère, ta soeur ou ton frère?
- Je n'ai ni père, ni mère, ni soeur, ni frère.
- Tes amis?
-Vous vous servez là d'une parole dont le sens m'est resté jusqu'à ce jour inconnu.
- Ta patrie?
- J'ignore sous quelle latitude elle est située.
- La beauté?
- Je l'aimerais volontiers, déesse et immortelle.
- L'or?
- Je le hais comme vous haïssez Dieu.
- Eh! qu'aimes-tu donc, extraordinaire étranger?
- J'aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... là-bas... les merveilleux nuages!



BAUDELAIRE, C., Petits poèmes en prose, I (1869)

8 de ago de 2015

VAGALUMES

Lumes vagos
brilham sozinhos
na noite eterna.
O frio constelado
e lucíolas errantes
são visíveis somente
a olhos nus.

Vestígios do fogo primitivo.