10 de mai de 2017

Desprezo profundamente esses filósofos frívolos,
frígidos, de sangue morno
isolados em seus quartos gélidos
separados do vapor que nos anima
sem calor, sem teor
e que fumam cigarros em suas sacadas cinzas
nada a pensar sobre o que há lá embaixo
nenhum interesse por aquilo que há de mais humano
talvez
mais humano do que eles próprios.

Desprezo esses filósofos separados
que da torre de marfim bradam a revolução
dentro da ordem das razões
e da demonstração lógica
inafetáveis.

Nossa teoria custou sangue
mutilou a carne
arregalou os olhos e frangiu os dentes.

Nossa teoria é vívida
concreta como os muros cinzas
e a miséria dos cães, dos ratos e dos outros habitantes dos viadutos
estes sim humanos, na mais alta humanidade
donde o frio da noite é vencido pelo calor da vida
muitíssimo diferentes dos filósofos
que em suas almofadinhas e cobertores caros
esquentam o corpo e congelam a vida.

Desprezo os filósofos que se vangloriam de suas teorias geniais
para eles mesmos, ou para seus pares
igualmente resfriados.

Nossa teoria é baixa
como a mais alta humanidade
e não se compadece, pois compartilha
e não se separa, pois está junto

a nossa teoria.

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